Em geral, o candidato à DBS é a pessoa com doença de Parkinson há pelo menos alguns anos, que responde bem à levodopa, mas tem oscilações ao longo do dia, movimentos involuntários causados pelos remédios ou tremor difícil de controlar. Além disso, precisa estar sem demência e sem problemas psiquiátricos graves fora de controle.
A indicação é feita depois de uma avaliação detalhada, que envolve o neurologista, o neurocirurgião e outros profissionais. Ela serve para confirmar o diagnóstico, prever o benefício e avaliar os riscos para cada pessoa.
Quais são os critérios principais?
Diagnóstico confirmado de Parkinson. Outras doenças parecidas, chamadas de parkinsonismos atípicos, costumam responder mal à DBS. Por isso, em geral se espera alguns anos de doença para ter segurança no diagnóstico.
Boa resposta à levodopa. É o principal indicador do benefício. Em geral, os sintomas que melhoram com a levodopa são os que tendem a melhorar com a DBS. Uma exceção é o tremor, que pode melhorar mesmo quando não responde bem aos remédios.
Complicações dos remédios. Oscilações com períodos “off” frequentes, discinesias que atrapalham a rotina ou efeitos colaterais que impedem aumentar as doses.
Tremor resistente. Tremor que não é controlado com medicação, mesmo em doses adequadas.
Memória e humor preservados. Pessoas com demência ou com depressão grave, psicose ou outros problemas psiquiátricos fora de controle podem piorar com a cirurgia.
Saúde geral. É preciso ter condições clínicas para a anestesia e para a cirurgia. A idade, sozinha, não impede, mas o estado de saúde geral é considerado.
Como é a avaliação antes da DBS?
- Teste da levodopa. A pessoa é examinada sem o remédio e depois com uma dose, para medir quanto os sintomas melhoram.
- Avaliação neuropsicológica. Testes de memória, atenção e raciocínio.
- Avaliação psiquiátrica ou psicológica, quando indicada.
- Ressonância magnética do cérebro, para afastar outras doenças e planejar a cirurgia.
- Avaliação clínica, com exames gerais para a anestesia.
- Conversa sobre expectativas. É importante saber o que a DBS pode e o que não pode fazer.
Quando a DBS costuma não ser indicada?
- quando os sintomas não melhoram com a levodopa, exceto o tremor;
- quando o principal problema é desequilíbrio e quedas que não respondem aos remédios;
- quando há demência;
- quando há problemas psiquiátricos graves sem controle;
- quando há doenças que aumentam muito o risco da cirurgia;
- quando o diagnóstico é de um parkinsonismo atípico.
Existe um momento ideal?
Estudos mostram benefício também em pessoas com complicações dos remédios em fases mais iniciais, não apenas em fases avançadas. Esperar demais pode fazer com que surjam sintomas que a DBS não ajuda, como problemas de equilíbrio e memória. Por isso, quando as oscilações começam a atrapalhar a vida, vale conversar sobre a avaliação.
Quem participa da decisão?
O neurologista que acompanha o Parkinson, o neurocirurgião, o neuropsicólogo e, conforme o caso, outros profissionais. A decisão final é tomada junto com o paciente e a família, depois de entender os benefícios esperados e os riscos.
Entenda o procedimento em o que é a DBS e veja como é o acompanhamento depois da DBS.
Saiba mais sobre a DBS para Parkinson com o Dr. Felipe Carvalho.