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Parkinson e DBS

O que é DBS (estimulação cerebral profunda)

Como funciona o aparelho que estimula pontos do cérebro para controlar sintomas do Parkinson, quais sintomas ele ajuda e quais são os limites.

Revisado por Dr. Felipe Carvalho, CRM 807931 · RQE 18776 Publicado em 16/10/2026 Atualizado em 16/10/2026 3 min de leitura

DBS é a sigla em inglês para estimulação cerebral profunda. É um tratamento em que eletrodos muito finos são implantados em pontos específicos e profundos do cérebro e ligados a um pequeno gerador, parecido com um marca-passo, colocado sob a pele do peito. O aparelho envia estímulos elétricos contínuos que ajudam a regular os circuitos do cérebro ligados ao movimento.

Na doença de Parkinson, a DBS pode reduzir tremor, rigidez, lentidão e as oscilações do efeito dos remédios ao longo do dia. Ela não interrompe a evolução da doença, mas pode ajudar a controlar sintomas motores por muitos anos.

Como a DBS funciona?

No Parkinson, alguns circuitos do cérebro que controlam o movimento passam a funcionar de forma desregulada. A estimulação elétrica em pontos específicos, como o núcleo subtalâmico ou o globo pálido interno, ajuda a reorganizar esses sinais.

O sistema tem três partes:

  1. Eletrodos, implantados no cérebro.
  2. Extensões, fios que passam sob a pele do couro cabeludo, do pescoço e do peito.
  3. Gerador, que fica sob a pele, abaixo da clavícula, e contém a bateria.

A estimulação é ajustada por um programador, sem necessidade de nova cirurgia. O paciente também recebe um controle para ligar, desligar e verificar o aparelho.

Quais sintomas a DBS pode ajudar?

  • tremor;
  • rigidez;
  • lentidão;
  • períodos “off”, quando o remédio para de fazer efeito;
  • movimentos involuntários causados pelos remédios (discinesias).

Muitas pessoas conseguem reduzir a dose dos remédios após a cirurgia.

Quais sintomas a DBS costuma não ajudar?

  • problemas de equilíbrio e quedas que não melhoram com os remédios;
  • dificuldades de memória e raciocínio;
  • alguns problemas de fala e deglutição;
  • sintomas não motores, como intestino preso e alterações do sono.

Uma regra prática: em geral, a DBS ajuda os sintomas que melhoram com a levodopa. O tremor é uma exceção, porque pode melhorar mesmo quando não responde bem aos remédios.

Como é a cirurgia?

A cirurgia é feita em hospital e costuma ter duas etapas:

  1. Implante dos eletrodos. Com exames de imagem, a equipe calcula o ponto exato no cérebro. Os eletrodos são implantados por pequenos orifícios no crânio. Em alguns centros, parte da cirurgia é feita com o paciente acordado, para testar a resposta.
  2. Implante do gerador. O aparelho é colocado sob a pele do peito e ligado aos eletrodos.

Algumas semanas depois, o aparelho é ligado e começa a programação, feita em várias consultas. Saiba mais em acompanhamento depois da DBS.

Quais são os riscos?

  • sangramento no cérebro, raro, mas grave;
  • infecção do sistema;
  • problemas nos fios ou no aparelho;
  • efeitos da estimulação, como alterações na fala, no humor ou formigamentos, que muitas vezes podem ser ajustados na programação;
  • necessidade de trocar a bateria depois de alguns anos, em modelos não recarregáveis.

Quem pode fazer a DBS?

A DBS não é indicada para todos com Parkinson. Em geral, é considerada para quem tem a doença há alguns anos, responde bem à levodopa, mas sofre com oscilações, discinesias ou tremor difícil de controlar, e não tem demência nem problemas psiquiátricos graves sem controle. A avaliação envolve neurologista, neurocirurgião, exames de imagem e testes de memória e humor. Veja em detalhes quem pode ser candidato à DBS.

Quando procurar avaliação?

Se os remédios para Parkinson já não controlam bem os sintomas ao longo do dia, converse com o seu neurologista sobre a avaliação para DBS. A consulta com o neurocirurgião explica o procedimento, os riscos e o que esperar no seu caso. Para um panorama dos tratamentos, leia Parkinson: da medicação à cirurgia.

Saiba mais sobre a DBS para Parkinson com o Dr. Felipe Carvalho.

Referências

  1. Okun MS. Deep-brain stimulation for Parkinson's disease. New England Journal of Medicine, 2012;367(16):1529-1538.
  2. Deuschl G et al. A randomized trial of deep-brain stimulation for Parkinson's disease. New England Journal of Medicine, 2006;355(9):896-908.

Dr. Felipe Carvalho, neurocirurgião · CRM RJ 807931 · RQE 18776. Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Os resultados variam de paciente para paciente. Publicidade médica conforme a Resolução CFM nº 2.336/2023.

Este conteúdo é informativo e não faz diagnóstico. Em caso de sintomas, procure atendimento médico.

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