Depois da cirurgia de DBS, o acompanhamento é tão importante quanto o próprio implante. Algumas semanas após a operação, o aparelho é ligado e começa a programação: a equipe ajusta a intensidade e o tipo de estímulo em várias consultas, enquanto os remédios do Parkinson são reajustados aos poucos.
Esse processo leva meses. O benefício aparece de forma gradual, e o acompanhamento continua ao longo dos anos, porque a doença evolui e o aparelho precisa de ajustes e manutenção.
Primeiras semanas após a cirurgia
- Recuperação dos cortes. Os pontos na cabeça e no peito são cuidados como em qualquer cirurgia. Mantenha os curativos limpos e secos e observe sinais de infecção.
- Efeito de microlesão. Algumas pessoas percebem melhora dos sintomas logo após a cirurgia, mesmo antes de ligar o aparelho. Esse efeito é temporário.
- Remédios. Nesse período, em geral, os remédios do Parkinson são mantidos.
Como é a programação?
Com um programador sem fio, a equipe escolhe quais contatos do eletrodo serão usados e ajusta a intensidade, a frequência e a duração dos pulsos. A cada ajuste, o médico avalia tremor, rigidez, lentidão e possíveis efeitos colaterais.
- As primeiras consultas de programação são mais frequentes.
- Os remédios são reduzidos aos poucos, conforme a estimulação faz efeito.
- Com o tempo, as consultas ficam mais espaçadas.
Efeitos como formigamento, alterações na fala, contrações musculares ou mudanças de humor podem aparecer e, muitas vezes, são corrigidos com ajustes.
O controle do paciente
O paciente recebe um controle para verificar se o aparelho está ligado, ver a carga da bateria e, em alguns modelos, escolher entre programas definidos pela equipe. Leve o controle e o cartão de identificação do aparelho nas consultas e em viagens.
Bateria
- Não recarregável: dura alguns anos, conforme o uso, e é trocada em uma cirurgia pequena, só no peito, sem mexer nos eletrodos.
- Recarregável: precisa ser carregada regularmente pela pele, com um carregador, e dura mais tempo.
Cuidados no dia a dia
- Exames de imagem. Ressonância magnética só pode ser feita em condições específicas, conforme o modelo do aparelho. Sempre avise que tem DBS antes de qualquer exame ou procedimento.
- Detectores de metal. Apresente o cartão do aparelho em aeroportos e bancos.
- Equipamentos médicos. Bisturi elétrico, diatermia e alguns tratamentos com calor ou ondas exigem cuidado. Avise sempre os profissionais.
- Atividade física. É incentivada, com liberação médica, evitando impactos fortes na região do gerador.
O tratamento continua
A DBS controla sintomas, mas o Parkinson continua evoluindo. O acompanhamento com o neurologista, a fisioterapia, a fonoaudiologia e a atividade física seguem sendo parte do tratamento. Veja o panorama em Parkinson: da medicação à cirurgia.
Sinais de alerta
Procure a equipe ou um pronto atendimento se houver:
- febre, vermelhidão, dor ou secreção nos cortes ou sobre o aparelho;
- piora súbita dos sintomas, que pode indicar aparelho desligado ou bateria no fim;
- confusão, dor de cabeça forte ou fraqueza súbita;
- alteração importante de humor ou pensamentos de autoagressão.
Quem acompanha?
O neurologista e o neurocirurgião acompanham juntos, com apoio de outros profissionais. Entenda os critérios em quem pode ser candidato à DBS e o procedimento em o que é a DBS.
Saiba mais sobre a DBS para Parkinson com o Dr. Felipe Carvalho.