A cirurgia de tumor cerebral é feita em hospital, com anestesia geral na maioria dos casos. O neurocirurgião abre uma janela no osso do crânio, chamada craniotomia, retira o tumor total ou parcialmente, protegendo as áreas importantes do cérebro, e depois recoloca o osso. O material retirado vai para análise, que define o tipo exato do tumor e orienta os próximos passos.
Cada cirurgia é planejada de forma individual, conforme o tipo, o tamanho e o local do tumor. Em alguns casos, em vez de retirar o tumor, faz-se apenas uma biópsia, a retirada de um pequeno pedaço para diagnóstico.
Quais são os objetivos da cirurgia?
- Retirar o tumor, total ou parcialmente, com segurança.
- Aliviar a pressão dentro do crânio e os sintomas.
- Confirmar o diagnóstico, com a análise do tecido.
- Preparar para outros tratamentos, quando necessários.
Como é o planejamento?
Antes da cirurgia, a equipe estuda os exames de imagem, principalmente a ressonância magnética, para definir o caminho de acesso ao tumor e a sua relação com vasos, nervos e áreas do cérebro ligadas a funções como fala e movimento. Também são feitos exames de sangue, avaliação clínica e conversa com o anestesista.
Quando o tumor causa inchaço no cérebro, podem ser usados remédios para reduzi-lo antes da operação. Se houve convulsões, remédios para preveni-las são mantidos.
Como a cirurgia é feita?
- Anestesia. Na maioria dos casos, geral. Em situações específicas, quando o tumor está perto das áreas da fala ou do movimento, parte da cirurgia pode ser feita com o paciente acordado, para testar essas funções.
- Acesso. Um corte no couro cabeludo e a abertura de uma janela no osso do crânio. O cabelo costuma ser raspado só em uma faixa estreita.
- Retirada do tumor. Com auxílio de microscópio, o cirurgião separa o tumor do cérebro e o retira, total ou parcialmente. Em alguns casos, a retirada total não é possível sem colocar em risco funções importantes.
- Fechamento. O osso é recolocado e fixado, e a pele é fechada.
Tumores da base do crânio ou da hipófise podem ser operados por outros caminhos, inclusive pelo nariz. Veja cirurgia de hipófise: como é feita.
Como é a internação?
Depois da cirurgia, a pessoa costuma passar um período em unidade de terapia intensiva ou semi-intensiva, para observação. A internação total, em geral, dura alguns dias. Exames de imagem são feitos para avaliar a retirada do tumor. A pessoa costuma se levantar e caminhar nos primeiros dias, conforme a recuperação.
Como é a recuperação em casa?
- dor de cabeça e inchaço no local são esperados e controlados com remédios;
- cansaço é comum nas primeiras semanas;
- os pontos são retirados depois de alguns dias;
- dirigir pode ficar suspenso por um tempo, principalmente se houve convulsões;
- a volta ao trabalho depende da recuperação e dos tratamentos seguintes;
- fisioterapia, fonoaudiologia ou terapia ocupacional podem ser indicadas.
Quais são os riscos?
Os riscos dependem do local e do tamanho do tumor:
- sangramento e infecção;
- inchaço do cérebro;
- convulsões;
- alterações de força, fala, visão ou memória, temporárias ou permanentes;
- vazamento do líquido que envolve o cérebro;
- riscos da anestesia.
Esses riscos são explicados em detalhe antes da cirurgia, considerando o seu caso.
O que acontece depois?
O resultado da análise do tecido sai em alguns dias ou semanas. Com ele, a equipe define os próximos passos:
- tumores benignos totalmente retirados: em geral, só acompanhamento com ressonâncias;
- tumores que não puderam ser retirados por completo ou de grau mais alto: pode haver radioterapia, radiocirurgia ou quimioterapia, com o oncologista.
Entenda as diferenças em tumor cerebral benigno e maligno e prepare as suas dúvidas com o que perguntar ao neurocirurgião antes da cirurgia.
Quando procurar um neurocirurgião?
Se um exame mostrou um tumor no cérebro, a consulta é o momento de entender se a cirurgia é indicada, como ela seria feita e quais são as alternativas. Familiares são bem-vindos.
Saiba mais sobre a cirurgia de tumores cerebrais com o Dr. Felipe Carvalho.