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Cérebro e hipófise

Cirurgia de hipófise: como é feita e quando se indica

A maior parte das cirurgias de hipófise é feita pelo nariz, com endoscópio. Veja quando é indicada, como é feita e como é a recuperação.

Revisado por Dr. Felipe Carvalho, CRM 807931 · RQE 18776 Publicado em 16/10/2026 Atualizado em 16/10/2026 3 min de leitura

A cirurgia de hipófise é feita, na maioria dos casos, por dentro do nariz, sem cortes no rosto. O neurocirurgião usa um endoscópio, um tubo fino com câmera e luz, que passa pela narina até um osso chamado esfenoide, logo à frente da hipófise. Por esse caminho, chamado de via transesfenoidal, o tumor é retirado.

Ela é indicada principalmente para adenomas que apertam os nervos da visão, que estão crescendo ou que produzem hormônios em excesso sem controle com remédios. Nem todo tumor de hipófise precisa ser operado.

Quando a cirurgia de hipófise é indicada?

As principais indicações são:

  • adenoma que comprime os nervos da visão, com perda da visão lateral;
  • acromegalia, causada por excesso de hormônio do crescimento;
  • doença de Cushing, causada por excesso de ACTH e cortisol;
  • adenoma não funcionante que cresce ou causa sintomas;
  • prolactinoma que não responde aos remédios ou causa efeitos colaterais importantes;
  • apoplexia, um sangramento dentro do tumor, em algumas situações com urgência;
  • outras lesões da região, como alguns cistos e o craniofaringioma.

Entenda os tipos de tumor em adenoma de hipófise: sintomas e diagnóstico.

Como a cirurgia é feita?

  1. Preparo. Exames de sangue com os hormônios, ressonância magnética, campo visual e avaliação com o endocrinologista e o anestesista.
  2. Anestesia geral. A pessoa dorme durante toda a cirurgia.
  3. Acesso pelo nariz. O endoscópio entra pela narina. O cirurgião abre uma pequena passagem no osso esfenoide e chega à sela túrcica, onde fica a hipófise.
  4. Retirada do tumor. Com a imagem ampliada no monitor, o tumor é retirado, preservando a glândula normal, os nervos e as artérias.
  5. Fechamento. A abertura é fechada, às vezes com tecidos do próprio nariz ou enxertos, para evitar vazamento do líquido que envolve o cérebro.

Em casos específicos, como tumores muito grandes ou que se estendem para os lados, pode ser necessária uma cirurgia por outra via, pelo crânio.

Como é a recuperação?

  • Internação. Costuma durar alguns dias, para acompanhar os hormônios e a quantidade de urina.
  • Nariz. É comum ficar entupido, com secreção e crostas por algumas semanas. Lavagens nasais costumam ser orientadas. Assoar o nariz com força deve ser evitado no início.
  • Atividades. Esforço físico intenso, mergulho e voos são liberados aos poucos, conforme orientação.
  • Hormônios. Os exames são repetidos depois da cirurgia. Algumas pessoas precisam repor hormônios, por um tempo ou de forma permanente.
  • Visão. Quando havia compressão, a visão pode melhorar em parte, em semanas ou meses. A resposta varia.

Quais são os riscos?

  • sangramento e infecção, inclusive meningite;
  • vazamento do líquido que envolve o cérebro pelo nariz (fístula liquórica);
  • diabetes insípido, com aumento da urina e da sede, em geral temporário;
  • falta de hormônios da hipófise;
  • alterações no olfato e no nariz;
  • raramente, piora da visão ou lesão de artérias.

E depois da cirurgia?

O acompanhamento com o endocrinologista continua. Ressonâncias periódicas mostram se sobrou tumor ou se ele voltou a crescer. Se necessário, existem opções como radioterapia, radiocirurgia ou remédios. Veja mais em exames que investigam tumores de hipófise.

Quando procurar um neurocirurgião?

Se você tem um adenoma de hipófise com alteração na visão, crescimento ou excesso de hormônios, ou se o endocrinologista indicou avaliação cirúrgica, a consulta é o momento de entender se a cirurgia é necessária e como ela seria feita no seu caso.

Saiba mais sobre a cirurgia de hipófise com o Dr. Felipe Carvalho.

Referências

  1. Freda PU et al. Pituitary incidentaloma: an Endocrine Society clinical practice guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2011;96(4):894-904.
  2. Melmed S et al. Diagnosis and treatment of hyperprolactinemia: an Endocrine Society clinical practice guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2011;96(2):273-288.

Dr. Felipe Carvalho, neurocirurgião · CRM RJ 807931 · RQE 18776. Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Os resultados variam de paciente para paciente. Publicidade médica conforme a Resolução CFM nº 2.336/2023.

Este conteúdo é informativo e não faz diagnóstico. Em caso de sintomas, procure atendimento médico.

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